A gente morre um pouco a cada dia
Vamos assim nos transmutando sem perceber
Perdendo os pedaços
Perdendo os laços
Cobrindo certos buracos com uma cola velha e enfeites novos
Vamos mudando por fora
Pouco a pouco
E por dentro
Vão ficando os vasos
As molduras de uma escultura aparentemente nova
Tem pessoas que entram em nossas vidas e não saem mais
Até partem rápido
Mas levam uma parte da gente
Deixando um caquinho e um vazio lá dentro
É como se enxergassem pelos buracos turvos da escultura pré moldada
Abrissem com chave pronta a porta secreta que desconheço
E retirassem, assim, por mera lembrança tola
Uma parte essencial de nossa base
E meio capenga
Meio de caída
A gente vai se dando de presente a várias outras
Às vezes
Até encontramos uma peça substituta para aquela que nos falta
E assim permanecemos como enfeites da vida
Por certo tempo nesse ambiente
Há se nos fosse possível reencontrar as partes que nos falta
Ah... se bem que se assim fosse
Talvez não nos tornássemos obras tão belas
3 comentários:
Muito bom meeeesmo!!
"Vamos mudando por fora
Pouco a pouco
E por dentro
Vão ficando os vasos..."
Algumas outras são vasos vazios que insistimeos em ver cheios daquilo que um dia foram.
Me lembrei disso!
Todas as mutilações sofridas, tornam-se metamorfose de um ser que nasceu nú. Nú sem nada! devemos somar as cicatrizes e fazer delas quadros contando as nossas historias e nosso aprendizado. Por mais que doa, o vazio sempre vale a pena!
;)
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