Quando eu finalmente acredito ter me encontrado, sem me procurar, perco-me novamente em mim. Tão compenetrada em meus sentimentos, deixando-me vencer por meus próprios demônios internos, por meus medos. Ai como, às vezes, eu não queria ser assim tão eu!
Vejo as cidades ao meu redor girando rapidamente, os carros passando as pessoas rodando. A vida tomando o seu rumo, e eu? Eu continuo assim me contradizendo, me transformando, sonhando hipnotizada com algo que não posso controlar e que nem sei o que é, mas esta lá a me esperar. Ai como, às vezes, eu não queria ser assim tão eu!
Não sei como eu consigo estar tão bem assim, se ao mesmo tempo em que me acho eu me perco em mim. Saio na rua como o vento, girando em varias direções, perdida em meus desejos meio à emoções. Leve como a brisa sutil e suave como o vento ou me provocando estragos, como um forte vendaval. Um tormento! Ai como, às vezes, eu não queria ser assim tão eu!
Mas toda vez que eu caio no inferno inquietante ou toda vez que olho em doces olhos flamejantes. Lembro-me da delicia dos prazeres que me cercam, me lembro das luxurias das mulheres com que peco, me lembro da pureza dos amores que vivi, me lembro dos amigos que terei e que perdi. Ai, nessas vezes, tão domada por mim mesmo, me olho no espelho e encaredidamente, me agradeço! Sendo que, às vezes, me pergunto relutante:
- Ai como, às vezes só às vezes, eu não queria ser assim tão eu?
Juliana Castro