sexta-feira, 31 de outubro de 2008

IRREAL

QUANDO O
IRREAL TE
DESEJAR
...OLHA PRA
ELE DE SALTO ...
ALTO E PERGUNTA
... POR QUE VOCÊ
ME OLHA COM
ESTES OLHOS?


-Você me quer me enlouquecer, mas é eu que enlouqueço você!



Alisson Alfonso e Juliana Castro

Zoológico particular

Estou recuperando pouco a pouco meu leão. Vou seduzi-lo devagar, até que ele aceite voltar para mim sem restrições. Por livre vontade, e arranhe as costas certas. Sua maldade felina completa o pássaro libertino e a tartaruga sabia que fizeram de minha alma a sua morada, seu zoológico perigoso!

Juliana Castro

Porque meu cérebro dói?

Depois de ler durante horas árduas, finalmente eis que chego a um estado de exaustão. Meu cérebro dói um tanto, mas minha dor é física, não advêm de minha alma inquietante. Sinto-me leve, cansada e feliz. Livre de mim mesma, ainda que sinta necessidade de exportas essa alegre extensão de meu intimo soberbo. Pensamentos convergentes, eis o segredo para que eu não me perca nos meus sentimentos mais profundos. Coloco-me diante de um espelho e enxergo com nitidez e clareza, o segredo de não pensar desnorteadamete é ler. Ler sem cessar, até que minha vista ceda e o sono se apodere do meu ser.

Juliana Castro

Reflexos condicionados

Reflexos condicionados
Reflexos condicionados
Eis o que tenho com você
Reflexos condicionados

Porque quando você me toca
Eu ardo, eu queimo, desmaio
Porque quando você me beija
Eu choro, eu tremo, me molho
Porque quando você vai embora
Eu caio, eu saio, eu traio

Ah... você só me quer quando eu não posso
Você só me vê quando eu desfoco
Você só me procura quando esqueço

Eu daria minha vida outrora
Para que você não fosse embora
E mesmo assim você partiu
Voou para longe de mim
Meu pássaro negro, tão amado
Hoje entendo porque você fugiu!


Juliana Castro

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A metáfora do gelo

Quando eu vejo que você está por perto, cristais de gelo me atravessam o peito... cristais de gelo... cristais de gelo. Descobri a sensação, ou melhor, a metáfora do meu sofrimento!

Juliana Castro

28/10/2008 13:13 (Hora do café)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Quem sou eu?

Eu sou uma que pensa de um jeito, e outra que pensa o oposto. Eu amo as duas, mas elas se repelem se odeiam. Ambas mantêm um acordo de paz para poder sobreviver, já que uma não existe sem a outra. Tudo se renova, surgem sempre novas formas e novas máscaras que se permitem serem decifradas e recriadas como um todo.

Juliana Castro - 21/10/2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

DESABAFO

Meu grito interno não me diz muito, esta mais para um sussurro abafado, mas é essa ausência de palavras que me machuca. Deparar-me de repente com uma verdade a qual eu não posso suportar, ou melhor até posso, mas com a qual eu não posso batalhar me machuca. O único pensamento concreto o qual consigo sintetizar, às vezes, é: “Meu Deus como você me dói de vez em quando!!”, mas nem isso é dito, ou abafado... Fica apenas subtendido em ‘nosso’ inconsciente. Você logo ira embora, e nenhuma noticia sua eu terei.... Tudo aquilo que poderia ter sido dito e foi calado vai se agrupando; tudo aquilo que foi sentido e suprimido vai se fundindo, aumentando gradativamente de tamanho até que meu pequeno recipiente cardíaco não pode mais suportar. Quando mais eu sinto, mais me calo... até um ponto que todas as palavras somem e restam-me apenas um grito... um lamento agonizante sem palavras de uma dor tão profunda que me consome... um ruído silencioso de algo que já passou, poderia ter sido, e não foi... Mas que continua intacto, preservado, aqui dentro lá no fundo do meu mais servil ser!

Juliana Castro




PS.: A pedido de um amigo que leu e gostou!

ViDa, Me LeVe LeVe.

Minha sanidade tem me consumido. Tão mais fácil era viver na loucura, não pensar nas conseqüências dos meus atos, seguir minha intuição, só ela apenas. Hoje compreendo a razão dos suicidas, a loucura dos desvairados, a incerteza do viver no talvez. Tão ruim é perder a paixão, é como perder a espontaneidade, é como estar perdido rodeado de pessoas. Eu não me vejo mais como “eu” e sim como “nós”. Onde será que eu errei? Ou acertei? Não sei. Há tanto para viver , tantas realidades a serem exploradas e, de certa forma, ainda não consegui me desvencilhar de mim. Tão subjetiva em mim mesma. “Quando não se sabe que fazer fique parado." Escutei um dia.. Então eu fico aqui, tocando a vida, sendo tocada por ela. Espero um dia reencontrar essa paixão dos poetas ensandecidos, reencontrar essa loucura que eu penso ter perdido. Quando então “EU” me perder em mim mesma novamente me reerguerei , lutarei pelas coisas que eu acredito, mas em que será que eu creio agora?

“Vida louca, vida, vida breve, já que eu não posso te levar quero que você me leve. Vida louca, vida, vida imensa, ninguém vai nos perdoar, nosso crime não compensa! Vida louca, vida, vida breve, já que eu não posso te levar quero que você me leve... leve... leve... leve... leve” Lobão

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Viva longa a esta nova vida!

"De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. Decerto tudo deve estar sendo o que é."

Um Sopro de Vida - Clarice Lispector

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Aos Olhos do Destino Quero um Dia ver o MunDo com OS olhOs de uma CriAnça

Você me vê de uma criança, com os olhos de amor, com os olhos de um amigo, com os olhos de um mentor. Você me vê como eu realmente sou?
Você me olha como se soubesse todos os meus defeitos e todas as minhas qualidades, seu olhar me diz, cuidado. Será que eu, que tenho um coração tão alado, devo em fim mudar?
Você me diz que eu vou me destruir e isso eu não quero não, aprendi que meus atos se refletem em outros e está na hora de me preservar. Chega de lutar.
Em fim devo aceitar aquilo que o destino me reserva, chega de egoísmo, chegar de querer ser igual, ser normal. Agora eu vou me entregar, deixar a ViDA me levar, manter um equilíbrio entre a emoção e a razão, preocupar-me com aqueles que me amam eu vou.
Talvez eu perca o meu encanto diante os olhos de alguns. Mas é um preço que eu tenho que pagar. Deixar o egocentrismo e a vaidade de lado. Quanto ao resto? Ah o resto, o resto fica por conta de Deus, seja lá o que ele for.

sábado, 11 de outubro de 2008

Aos Olhos da ViDA

Seus olhos negros estão abertos
Mas será que você enxerga?
Será que você enxerga,
o que não se pode ver?

Seu olhar vem de encontro ao meu
Tão imponente a razão
Trai o que você não diz
Ao entregar o que você já quiz

E mesmo assim, meu amor
Às vezes enxergas melhor do que eu
Que finjo tão bem,
Não temer a dor.



Juliana Castro

11 de outubro, 17:53 , em uma cafeteria em Gramado... 2008

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O amigo verde

Você já se entregou para alguém perguntou ela, e a garota ficou calada por um tempo enorme só pensando e refletindo sobre aquela inusitada pergunta feita. Não, seria a resposta mais apropriada para a situação, ainda mais vindo dela, mas como negar a sua plena e total entrega a um outro ser. Como negar que esteve tão apaixonada a ponto de se esquecer de si. Sim, seria a resposta certa, mas como falar isso a uma estranha, como contar o seu único momento de insanidade temporária a alguém que mal conhecia, preferiu ficar calada agonizando em silencio e sentindo novamente aquela ferida mal fechada se abrir. A cada ponto rasgado, a cada pedaço de carne rompida era mais um tormento, mais meses para esquecer aquele tão sofrido acontecimento. Quisera ela, muitas vezes, voltar a ser como era antes, tão governante de feras, tão dona de si, mas como? Como se faz para voltar a ser si mesmo? Isso a jovem artista ainda não sabia. Chegaria um dia que talvez soubesse, que talvez conseguisse voltar a realidade, mas não aquela noite. Naquela noite fria e chuvosa lhe restava apenas chorar, e como chorou. Chorou o chorou de uma criança que acaba de perder os pais, mas não sabe bem o que está errado. Chorou o choro de um adolescente que tenta se encontrar no mundo, mas se nega a admitir sua inexperiência. Chorou o choro de um adulto que vê a realidade do mundo e se sente impotente diante de tanta destruição em massa. Chorou durante horas e dias, durante noites em claro, até que um jovem amigo verde lhe estendeu a mão. - Incrível, mas antes dele ninguém havia percebido a sua agonia. - Ele com seu jeito doce lhe ajudou a cessar o choro, secou suas lagrimas com sua pele verde e a fez regressar novamente a sua tão temida realidade passageira. “Porque tudo que é belo quase sempre é sujo?” Ela perguntou a ele timidamente, embora por trás dessa simples perguntas milhares de outras mil se escondessem e ele com seus olhos negros e sua face verde lhe respondeu: “não é que o belo seja sujo, mas muitas vezes o que é sujo é tido como belo aos seus olhos.” E ela com um olhar triste e com um sorriso calmo lhe beijou os lábios, não era um beijo de paixão, ou mesmo de desejo, era um beijo de amor, um beijo de entrega, um simples gesto de retribuição e carinho, sem nenhuma conotação a mais. Uma forma de lhe retribuir o que ele lhe havia feito sentir, paz. Talvez a outros olhos aquele beijo doce pudesse ser visto como uma ou mais coisa suja, mas ali naquele momento para os dois era apenas uma coisa bela. Foi assim que a ferida começou a sarar realmente, não com o abafamento e com a força, mas com as gases abertas e o cuidado de um ser verde, um enfermeiro da alma, que ajudaria a criança em fim a se encontrar. Mesmo que isso levasse anos e que quando sua presença não fosse de suma importância se retiraria aos poucos com cuidado sem que esta percebesse e lhe deixaria o mais transparente ser e brilhante a cuidar dela.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"O CABARÉ DOS QUASE-VIVOS"

Quando eu finalmente acredito ter me encontrado, sem me procurar, perco-me novamente em mim. Tão compenetrada em meus sentimentos, deixando-me vencer por meus próprios demônios internos, por meus medos. Ai como, às vezes, eu não queria ser assim tão eu!

Vejo as cidades ao meu redor girando rapidamente, os carros passando as pessoas rodando. A vida tomando o seu rumo, e eu? Eu continuo assim me contradizendo, me transformando, sonhando hipnotizada com algo que não posso controlar e que nem sei o que é, mas esta lá a me esperar. Ai como, às vezes, eu não queria ser assim tão eu!

Não sei como eu consigo estar tão bem assim, se ao mesmo tempo em que me acho eu me perco em mim. Saio na rua como o vento, girando em varias direções, perdida em meus desejos meio à emoções. Leve como a brisa sutil e suave como o vento ou me provocando estragos, como um forte vendaval. Um tormento! Ai como, às vezes, eu não queria ser assim tão eu!

Mas toda vez que eu caio no inferno inquietante ou toda vez que olho em doces olhos flamejantes. Lembro-me da delicia dos prazeres que me cercam, me lembro das luxurias das mulheres com que peco, me lembro da pureza dos amores que vivi, me lembro dos amigos que terei e que perdi. Ai, nessas vezes, tão domada por mim mesmo, me olho no espelho e encaredidamente, me agradeço! Sendo que, às vezes, me pergunto relutante:


- Ai como, às vezes só às vezes, eu não queria ser assim tão eu?


Juliana Castro